VINDE, BENDITOS DO PAI CELESTE...

 

("Vinde, benditos do Pai Celeste, para o Reino que vos está preparado desde o princípio do mundo")

 

 

Este doce convite do Senhor Jesus é para todos nós e, não, apenas para os poucos privilegiados que O seguiram, durante Sua jornada terrena. Na realidade, desde sempre somos os queridos filhos do Pai Celeste (Espírito), embora achemos ser filhos da carne e do sangue (matéria). A verdadeira natureza do homem, o Grande Instrutor assim resumiu: "O 'Reino de Deus' (Paz e Felicidade) está dentro de vós". Contudo, desperdiçamos tempo, energia e dinheiro procurando por Ele em todos os lugares, exceto no certo. Tal é a grande ironia da Existência: onde quer que esteja, o ser humano tem sempre consigo (em seu coração) o melhor companheiro (DEUS), sem custo algum; mas, não o percebe e, por causa da desatenção interior, é vítima fácil de todas as mazelas do mundo (solidão, medo, insatisfação, etc.).

Dia destes, reassisti ao filme americano "Contact" (exibido no Brasil como "Contato"), que exemplifica perfeitamente o grande drama humano. Muitas pessoas precisam frequentar lugares/eventos públicos, festas, reuniões, etc., para livrarem-se temporariamente da solidão; outras, mais sofisticadas, acreditam que apenas poderão escapar das garras da solidão se descobrirem que não estamos sós, no universo, isto é: que há vida inteligente/senciente em algum lugar fora do planeta que habitamos. Investimentos financeiros, esforços e sacrifícios incomensuráveis já foram (e continuam sendo) aplicados, simplesmente para o homem conseguir confirmar esta esperança.

Durante o filme, me lembrei das palavras de um outro Cristo, menos conhecido do que Jesus: "O objeto de conhecimento não é maior do que quem procura conhecê-lo. O objeto percebido está contido no sujeito que o percebe". No caso em questão, "objeto" é o universo e, "sujeito", o homem (a mente humana). Assim sendo, o homem não é um minúsculo grão de poeira, perdido na imensidão do cosmos; este, sim, está contido em sua mente (subconsciente). Ou: não estamos no universo, porque na verdade ele está em nós, ele é apenas uma criação mental (involuntária). É exatamente como um sonho, onde involuntariamente criamos um universo inteiro, que pode ser muito parecido com este, do qual acreditamos ser uma insignificante parte. E aquele universo-sonho é tão real, durante o sonho, quanto o universo à nossa volta nos parece real, agora, neste outro sonho que chamamos de "vida". A diferença, entre aquele sonho e este, é que o primeiro é curto, enquanto o segundo (esta vida) é longo e ainda estamos mergulhados nele. Assim como não percebemos a irrealidade do universo-sonho, enquanto sonhamos, também não percebemos a irrealidade do universo-vida neste momento, em que estamos "acordados" (acordados, segundo o padrão de consciência vigente; porém, adormecidos ou "mortos", segundo os padrões dos Sábios).

Os incrédulos/materialistas agora poderiam argumentar: "Se o universo inteiro está em minha mente, por que não consigo conhecer tudo sobre ele?". Não deveria haver surpresa sobre isto, pois muitas vezes já experimentamos/comprovamos esta limitação intelectual (chamada de "ignorância", nas escrituras sagradas). Bem sabemos que, o universo-sonho, é criação mental do sonhador; no entanto, ele pode sonhar que está olhando para o céu noturno e sentindo-se muito angustiado por não ter respostas, para a sua sede de conhecimento sobre aquelas milhares de luzes cintilantes que enxerga lá em cima... Ora, o sonhador criou toda aquela aparente imensidão; porém, fica perplexo diante dela e desconhece a sua causa/origem, que é ele mesmo (sua mente). Se a lógica implícita na pergunta acima fosse verdadeira (que o criador conhece a sua criação), esta ignorância não ocorreria; o sonhador saberia exatamente o que era cada um daqueles pontos luminosos no céu, já que foi sua mente que os criou. O fato do próprio criador do sonho acreditar que é apenas uma insignificante parte do universo-sonho, desqualifica como absurdo o ensinamento espiritual de que todas as galáxias e mundos, do universo-vida, estão contidos na mente humana. A palavra final é do Sábio de Arunáchala, Bhagavan Ramana Maharshi: "Este mundo e o mundo dos sonhos não passam de criações mentais (subconscientes)".

Quando pessoas chegavam diante de Bhagavan e faziam perguntas sobre vida em outros mundos (astrais ou materiais), ele, em sua infinita Compaixão, não alimentava a curiosidade delas (agitação mental); mas, tentava atraí-las para a busca espiritual afirmando que, após interiormente conhecerem a si mesmas, conheceriam tudo. Jesus lançou isca semelhante, valendo-se de outras palavras: "Buscai, em primeiro lugar, o Reino de Deus; então, todas as vossas necessidades serão supridas". Certa vez, um dos devotos de Bhagavan perguntou sobre criação do universo, e o Sábio respondeu: "Um verdadeiro buscador espiritual não deve desperdiçar tempo e energia, especulando sobre este assunto. Esforce-se por descobrir quem você realmente é, e nada menos do que isto".

Antes de conhecer os ensinamentos dos Grandes Mensageiros do Altíssimo, costumava olhar para o céu estrelado e ficar muito angustiado diante daquela imensidão que, intuitivamente sabia, nunca este intelecto poderia chegar a compreender, por mais informações que absorvesse. Após entrar em "contato" com a Sabedoria Sagrada, felizmente deixei de observar o céu e comecei a perceber que o intelecto é um obstáculo, no caminho para a Felicidade (Reino de Deus), e que, quanto mais conhecimento mundano adquirimos, mais distantes ficamos da VERDADE. Hoje sei que a solução, para o drama da vida, está dentro de todos nós; por isto, tenho me esforçado por volver a atenção, do exterior para o interior. Seres humanos, que o mundo classifica como intelectualmente brilhantes e exemplares, não mais me impressionam; suas teorias e descobertas, não me encantam como antes. Assisti e talvez assista outras vezes ao filme "Contato", porque é muito difícil vencer rapidamente os antigos hábitos/prazeres mentais, profundamente enraizados no subconsciente; contudo, se/quando o fizer, vou tentar manter, na mente, estes ensinamentos: [1] as criaturas nunca estão sós, pois o Criador (DEUS) habita em todos os corações; [2] o único conhecimento, digno do esforço de quem está na busca espiritual, é o reconhecimento interior de sua natureza divina.

 

Devo terminar agora, este texto, pois mais uma vez este intelecto está sendo "martelado" pelo convite crístico: "Vinde, benditos do Pai Celeste, para o Reino que vos está preparado desde o princípio do mundo".

Boa sorte para todos nós, benditos convidados para a mais fantástica (e difícil) de todas as aventuras: a jornada ao interior da própria alma...

 

 

P.S. (05/08/13):

Acredito que a heroína de "Contato" tem razão, ao afirmar que cremos em um "deus" criado por nossa imaginação. Os poucos seres humanos que possuem a verdadeira percepção/experiência do Altíssimo, são completamente diferentes dos personagens daquele filme e também de nós, personagens deste mundo de ilusões...

 

 

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02/08/2013

 

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