CRISE? QUE CRISE?

 

Dia a dia, venho lutando para reduzir um antigo hábito que tinha, de saturar a mente com conhecimentos/cultura; mas, como ainda vivo em sociedade, algumas vezes sou obrigado, para não parecer grosseiro, a ouvir novidades, fofocas e notícias que me transmitem pessoalmente.

Recentemente, falavam muito sobre crise/recessão internacional, dólar subindo, inflação subindo... e, com certeza, estresse idem. O roteiro maléfico, de falatórios deste tipo, é sempre o mesmo: o primeiro diz ao segundo, que diz ao terceiro, etc., e o pânico vai se espalhando, aumentando o que talvez tenha sido, no início, nada mais do que um erro de interpretação ou um boato mal-intencionado.

Faço uma pequena interrupção, para relatar algo que aprendi observando os pássaros, visitantes do quintal onde coloco alimento para eles. De vez em quando há debandada geral, sob falso motivo: todos alçam voo em pânico, quase simultaneamente, porque apenas um se deixou assustar por algo inofensivo (sombra de um galho balançando ao vento, por exemplo).

O mesmo erro cometem, os humanos: prestamos atenção em boatos/fofocas/notícias, aceitamos o pânico dos outros e acabamos difundindo o mal, ao agirmos exatamente como eles. Pode parecer que o propósito é bom, que queremos alertar nossos conhecidos, preveni-los contra as consequências do que vem por aí. Na verdade, porém, o objetivo real é ser portador de novidades, não importa que sejam ruins; ser o centro das atenções, nem que seja por poucos minutos. No entanto, quem ajuda a aumentar/difundir o mal, inevitavelmente será vítima dele, cedo ou tarde. Exemplo: digo ao feirante que o dólar disparou e, o que acabei de comprar por um real, na semana seguinte estará custando dois, mesmo se nenhum aumento do dólar tiver realmente ocorrido...

Ainda que não seja um boato/fofoca, não devemos propagar as coisas ruins que nos dizem, pois o mal que provocam certamente torna-se maior, à medida em que mais e mais pessoas tomam conhecimento delas. O melhor é refrear a língua, não colaborando para sua difusão, e manter a calma, não se deixando influenciar pelo clima de medo/pessimismo. Tudo passa, até mesmo o mal, e, muitas vezes, a primeira impressão de uma calamidade no dia seguinte foi reduzida a nível solucionável. Para os cristãos, lembro este ensinamento do Grande Instrutor: "Não resistais ao mal", que é perfeito para esta situação e significa não ser parceiro e nem adversário do mal: ele deve, sim, ser solenemente ignorado, até desaparecer no ostracismo de onde veio...

 

Já experimentei os dois lados: era um "antenado", precisava me manter informado sobre tudo o que acontecia, mundo afora; felizmente, percebi o desgaste emocional que tal atitude provocava e, aos poucos, fui me afastando, até perder o interesse por aquilo tudo. Hoje, este "alienado" garante, por experiência própria: quanto mais sabemos, mais sofremos... Então, outra solução para não ser influenciado, por crises ou quaisquer outras adversidades, é nada saber sobre elas.

 

 

24/03/2016

 

 

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