A CURA PARA TODOS OS MALES

 

 

Não vou apresentar aqui uma receita de ervas, para curar as doenças do corpo, nem vou descrever algum ritual ou oração infalível contra 'mau-olhado', etc. Apesar do bombástico e aparentemente arrogante título deste texto, nada sei sobre medicina natural, ocultismo e outras formas de proteções exteriores, contra o mal. Se minha intenção fosse apresentar alguma solução que exigisse a aquisição de conhecimento intelectual, isto contrariaria os ensinamentos dos Sábios e, mais importante ainda, contrariaria as Verdades que venho descobrindo dentro de mim mesmo. Como quero para mim e para os demais seres humanos, o fim da escravidão, e sei que o acúmulo de conhecimentos mundanos nos escraviza ainda mais, a solução só pode ser interior. Não é teoria ou opinião e, sim, experiência pessoal, comprovada diariamente em mim mesmo.

 

É uma grande ingenuidade acreditar que seja possível alguém viver indefinidamente com saúde perfeita, juventude eterna e livre das calamidades da vida. Seguindo as muitas teorias sobre pensamento positivo, autoestima, qualidade de vida, autocura, etc., podemos ter a falsa impressão de que tais métodos são válidos, mas os possíveis bons resultados são passageiros, porque, apesar da cura ou solução do problema atual, a próxima doença ou calamidade cedo ou tarde virá. Neste caminho, percebo que mergulhamos inconscientemente e cada vez mais fundo, em um mundo de superstições, cuidados e dependências, cujos malefícios posteriores ultrapassam, em muito, os transitórios benefícios atuais. As novidades em tendências comportamentais não são criadas e difundidas com o intuito de tornar nossas vidas melhores; são apenas oportunidades comerciais sendo exploradas, não importa o custo para a humanidade. Por exemplo: o modismo "mania de saúde" pode parecer saudável, mas é doentio. Observe como as pessoas preocupadas com saúde estão sempre falando em germes, anticorpos e vitaminas, fazendo exames preventivos e afligindo-se com os milhares de vírus que existem no ar, na terra e na água. Os cuidados com o corpo passam a ser um dos objetivos principais de suas vidas e não sobra tempo para a evolução espiritual consciente. Todos os Sábios ensinam que não devemos mortificar o corpo, mas, também, que não deveríamos perder tempo, cedendo aos caprichos dele. Seguir o caminho do meio, tão sabiamente exemplificado pelo Senhor Buda, é o procedimento correto. O problema é conseguirmos definir os parâmetros do "caminho do meio". As diretrizes básicas são transmitidas pelos verdadeiros Sábios, mas, os detalhes sutis, nos são ensinados pela Intuição e confirmados pela experimentação na vida cotidiana. Aquilo que interiormente apreendo e confirmo aqui, alguém, no mesmo estágio evolutivo, apreende e confirma também do outro lado do mundo. Se as percepções de buscadores equivalentes fossem diferentes, não haveria lei e ordem na Criação.

A verdade é que os males da vida nunca deixarão de existir; então, o que podemos fazer é colocarmo-nos acima deles. Repare que, quando dormimos, os problemas do corpo e da mente desaparecem. Por que isto acontece? Não vale dizer que durante o sono deixamos de existir temporariamente ou que ficamos totalmente inconscientes, pois estas respostas são boas apenas para quem tem preguiça ou medo de refletir sobre o assunto. O estado de sono (sem sonhos) foi comentado no texto "Relatividade e Realidade" e as conclusões foram:

- Um vínculo persiste, mantendo nossa 'existência'; se perdêssemos nossa individualidade durante o sono e não houvesse um vínculo para o seu retorno, dormiríamos como João e acordaríamos como José;

- Não ficamos totalmente inconscientes, porque podemos dizer, ao acordar: "Eu dormi tranquilamente"; logo, temos consciência subjetiva de nós mesmos (a "Testemunha") durante o sono e percebemos quanto este estado é agradável e revigorante.

Considerando estes fatos consumados, se há existência e consciência (não mental) no sono, por que os males e os problemas não nos afligem, então? A resposta é que, durante o sono, a mente não está presente e, sem ela, não existe o mundo e suas tribulações. Avançando um pouco mais, podemos concluir que os nossos sofrimentos são criações da mente/ego, que, ao despertar do sono, reassume o controle sobre nós. Quem, via meditação, já alcançou estado semelhante ao sono, mas permanecendo, através da Vontade, ativamente consciente de si mesmo, sabe que o exposto acima é verdade, pois percebe que a intensidade dos males da vida é diretamente proporcional ao nível de atividade mental. Quanto menor esta, menos sofrimentos...

Infelizmente, apenas os legítimos Sábios conseguem manter-se permanentemente neste divino estado de consciência não mental (Reino de Deus), onde imperam a Paz e a Felicidade incondicionais. Para Eles, não há doenças, embora Seus corpos possam estar severamente doentes. Os Sábios do passado recente, Ramakrishna e Ramana Maharshi, definharam lentamente, acometidos por câncer, e nunca se deixaram influenciar pelo mal. Os minuciosos escritos, mantidos por Seus discípulos, mostram que, com o avanço da doença, mais serenos e santificados Eles tornaram-Se. Nenhum dos dois pensou em Si mesmo, preocupando-se com tratamentos médicos e autopreservação. Ao contrário, ambos disseram: "Senhor, que seja feita a Tua Vontade" e, até o momento final, continuaram pregando a Verdade e atendendo àqueles que os procuravam, levando paz e coragem aos seus corações. Quando os discípulos, inconsoláveis, imploravam para que Eles, pelo poder mental, curassem a própria carne, a resposta era a mesma: "Este corpo e esta mente não me pertencem; como poderia usar um, para curar o outro?". A verdade definitiva sobre autocura foi transmitida da maneira correta, embora sofrida para aqueles que Os rodeavam. Tais exemplos de vida deveriam servir de inspiração para todos nós...

Para que não fique a impressão de que apenas os Super-homens espirituais são capazes de derrotar o mal, vou relatar um exemplo de vitória de um não-sábio. Tenho certeza que o caso é verdadeiro, porque o protagonista é quem está digitando este texto.

Eu tinha um problema de saúde há tanto tempo, que nem me lembro quando começou. Precisava ter sempre comigo um frasco de determinado remédio e usava-o várias vezes, de dia e de noite. Para não correr o risco de ficar nem um minuto sem a droga, tinha vários frascos em casa, no trabalho, no carro, etc. Fui a médicos e eles disseram que o problema exigiria tratamento prolongado e que os resultados talvez não fossem significativos. Desisti antes de começar e continuei usando o tal remédio, pois acreditava que não conseguiria sobreviver sem ele. O clímax desta escravidão aconteceu quando estava muito longe da cidade (e da farmácia) mais próxima e, ao tentar usá-lo, descobri que o frasco estava vazio e não havia sobressalente. Entrei em pânico, mas, depois desta crise, tudo continuou como antes...

Posteriormente, com a prática da meditação, comecei a perceber a lamentável situação de dependência em que me encontrava, sendo aquela fraqueza inadmissível, no caminho que agora trilhava. Esquecendo as soluções exteriores, passei a buscá-las dentro de mim. Em uma gloriosa manhã, olhei para o reflexo deste rosto no espelho e disse: "Acabou". Disse apenas uma vez, porque uma reafirmação seria demonstrar insegurança em relação à primeira afirmativa, que não pode estar contaminada pela dúvida. Na mesma hora, peguei todos os frascos da droga, que havia em casa, e joguei tudo na lixeira; chegando ao trabalho, fiz a mesma coisa. Passaram-se quase 8 anos e nunca mais precisei de remédio algum, embora o referido problema de saúde não tenha desaparecido, pois, de vez em quando, algumas pessoas mais próximas o percebem. A diferença é que ele não me incomoda mais, isto é, deixou de ser um problema para mim...

Até hoje, quando recordo o caso, me surpreendo com a capacidade interior que o ser humano tem, para vencer as limitações do corpo e da mente. Com esta experiência, comecei a entender que os males ditos 'físicos' não estão no corpo, mas na mente. Na verdade, o corpo nunca reclama de nada, pois é inconsciente de si mesmo; é a mente que o percebe, nos convence de que ele está doente e que, portanto, temos um problema de saúde. Como este templo de carne já está chegando aos 50 anos, de vez em quando alguma coisa não funciona bem. O procedimento adotado é aguardar, o mais pacientemente possível, o retorno à 'normalidade' anterior ou, se isto demora ou não acontece, aceitar a nova situação e tentar transcender a provação atual ("Não resistais ao mal"), utilizando-me apenas dos recursos interiores. E, a cada vitória, maior autoconfiança e força adquirimos para as próximas batalhas espirituais. Alguns vícios e hábitos antigos, extremamente prazerosos para o ego, mas que são males de efeito sutil e retardado, também tenho conseguido eliminar definitivamente (embora ainda restem muitos outros). Vou, contudo, parar o relato por aqui, senão pode parecer que quero demonstrar superioridade sobre os demais. Na verdade, espero que o exemplo citado sirva de incentivo para todos os demais buscadores, já que não sou superior a ninguém...

Para algumas pessoas, deve parecer mais cômodo e seguro continuar procurando soluções fora de si mesmas, depositando suas esperanças em terceiros. Elas podem dizer que dia virá, em que a técnica que uso não dará certo e que estou abusando da sorte e da saúde. Com certeza, tal dia chegará para mim. Contudo, mesmo para aqueles que fazem exames médicos periódicos, tomam vitaminas todos os dias e pensam positivamente, chegará também a ocasião em que todos os recursos da medicina e da psicologia serão insuficientes para salvá-los. Estes cuidados nem mesmo garantem uma existência saudável e longa: basta observar imparcialmente o mundo, que a pessoa perceberá que ninguém tem poder para prolongar, nem por um dia sequer, a sua vida ou as vidas dos outros...

 

Neste ponto, me parece adequado um esclarecimento. Não estou propondo o simples fortalecimento mental, com o intuito de vencermos o corpo material. A mente/ego, em sua manifestação habitual, é a grande e única inimiga do homem. Quando fortalecida por motivação egoísta, ela nos conduz por caminhos ainda mais perigosos do que os anteriores, porque uma mente forte e egocêntrica, normalmente supõe ser a aquisição de poderes psíquicos (capacidade para promover curas milagrosas, clarividência, etc.) prova de sabedoria e evolução. Os Sábios advertem: quem a fortalece com fins mundanos, deixando-se seduzir pelos consequentes poderes mentais, está em pior situação do que os ateus, pois inebria-se com sua aparente superioridade sobre o resto da humanidade e esquece qual é a verdadeira meta da vida.

Com o despertar espiritual, a Força Interior começa a exercer sutil influência sobre a mente, direcionando-a para o 'fortalecimento' sincero (não egoísta). Aqueles Que Sabem ensinam e provam que a autocura segura é alcançada com a vitória do espírito sobre a mente, que, no momento certo do processo evolutivo, é intuitivamente deixada para trás, pois torna-se desnecessária. É como ocorre em uma viagem ao espaço: quando o foguete ultrapassa determinada altura e não está mais sujeito à força gravitacional da Terra (apegos mundanos), o enorme propulsor (mente), indispensável até então, é lançado fora, pois tornou-se um estorvo. A mente, sinceramente fortalecida, é como a Lua cheia, à noite: ela é importante, porque ilumina o mundo; mas, quando o dia (Reino de Deus) desponta, o Sol (Consciência Superior) ofusca completamente o brilho da Lua...

A atitude segura é considerar que qualquer manifestação de poderes singulares em nós, é obra do Altíssimo e, não, nossa. Nunca o Senhor Jesus disse que os milagres e os poderes eram Seus. Dizia Ele: "Tua fé te curou" ou "A glória de Deus manifestou-Se". Então, as curas que observo em mim, não são obras minhas, porque poder algum qualquer um de nós tem sobre saúde/doença e vida/morte. Elas acontecem pela Graça Divina, para que as almas sejam fortalecidas pela fé e prossigam vencendo os incontáveis obstáculos em suas jornadas para o Reino de Deus.

 

Conclusão: a cura para os males da vida, é colocar-se, espiritualmente, acima dos males da vida. A Força para isto está dentro de você... Onde mais Ela poderia estar?

 

 

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Por mim, nada posso; mas, por Ti, EU POSSO.

 

13/03/2007

 

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