O DEUS DOS VIVOS

 

 

Me disseram que uma famosa figura televisiva faleceu. Imediatamente, me ocorreu o pensamento: "E algum dia ela esteve viva?". O homem, que centenas de milhões dizem seguir, explicou o que são Vida e morte, tanto por palavras, quanto por atitudes. Assim, havendo dúvida em relação à interpretação correta do ensinamento, basta prestar sincera atenção na Vida de Jesus Cristo...

Ao longo da Existência, os Mensageiros do Altíssimo vêm tentando nos sensibilizar para a Verdade e Jesus o fez através de singelas parábolas e comoventes expressões, tais como: "Pai Celeste", "Reino de Deus", "Vida Eterna", "ressurreição dos mortos", etc. Mesmo assim, poucos o seguiram e poucos o seguem, assim como poucos seguiram/seguem os demais Sábios. As multidões iam atrás do homem Jesus para se verem livres de suas mazelas e, não, com o intuito de aprender a transcendê-las, espiritualmente. Hoje em dia, rezam/cantam para Jesus, andam com crucifixo pendurado no pescoço, mas continuam com as mesmas intenções.

A rejeição à Verdade Espiritual deve-se à sua aparente amargura, ao contrário da mentira na qual vivemos, que ainda nos parece doce como mel, embora, na realidade, seja mais amarga do que fel. Entretanto, como Verdade é Vida, e Vida é DEUS, rejeitando a Verdade automaticamente nos privamos da Vida e de DEUS. Isto explica o sofrimento generalizado e infindável da humanidade, mesmo entre aqueles que seguem religiões formais. Apesar de tantas dores e decepções no mundo, a Verdade não consegue penetrar facilmente em nossos corações de pedra. Fingimos amar Jesus, porque isto é suficiente para não provocar peso na consciência de quem foi batizado como cristão; porém, ignoramos completamente as Suas palavras. Foi para todos nós, fariseus modernos, que Ele endereçou este duro recado: "o Pai Celeste é DEUS dos Vivos; não, dos mortos". O deus das religiões/pessoas subjugadas pelo mundo, o deus dos mortos, é tão morto quanto aqueles que o veneram...

Quando, pela insistência, os ensinamentos contidos nos Evangelhos do Novo Testamento finalmente conseguem ultrapassar a barreira do intelecto/raciocínio (ego), começamos a perceber que, o oposto de morte, não é a vida que conhecemos, pois, tal vida, como bem ensina o Grande Instrutor, é sinônimo de morte ("Deixa que os mortos enterrem seus mortos"). Entendendo isto, o significado de "ressurreição dos mortos" torna-se evidente. As pessoas falam em "gozar a vida"; mas, o que gozamos, realmente, é a morte. Um filme americano antigo, chamado "Cocoon", é um bom exemplo de como viver, se preferimos continuar mortos para a verdadeira Vida... Por mais absurdo que pareça, estamos satisfeitos com a trágica condição de mortos-vivos e incentivamos uns aos outros a permanecer assim, porque não há nada mais revoltante/ameaçador do que observar um antigo companheiro de fileiras "perder o rumo" e começar a esforçar-se por sair do túmulo espiritual, ressuscitar para a Vida. Referindo-se à reação do mundo, contra quem anseia libertar-se dele, alertou o Cordeiro de Deus: "Não exponham suas pérolas espirituais diante dos homens, para não serem pisoteados por eles". Em nós (ego), há um inconsciente/inconfessável amor pelo mal (paixões/desejos), o cativeiro da alma, o adversário do Cristo e do Altíssimo. Portanto, não nos impressionemos com conselhos/atitudes das pessoas totalmente materialistas, por mais que seus conselhos/atitudes ainda nos pareçam certos, inofensivos e agradáveis, já que, na verdade, cedo ou tarde serão prejudiciais para nós e, consequentemente, para o restante da humanidade. Frequentar igrejas e repetir constantemente "Vai/fica com Deus", não torna ninguém menos mundano: a experiência da vida comprova esta afirmação. Desviar a atenção, do mundo, para o Silêncio Interior, e discrição exterior, são as melhores estratégias para tornar menos penosa a jornada do filho pródigo, de volta para casa...

No momento certo da Existência, no entanto, repentinamente o ser humano percebe sua lamentável condição espiritual. Não há premeditação/desejo, nenhuma decisão pessoal, que poderia explicar este despertar (por experiência própria, garanto que acontece assim). Tal misteriosa Luz ("Graça Divina"?) vem de dentro do próprio homem e nem mesmo um Jesus, em carne-e-osso, pode nos esclarecer sobre Ela, se não estivermos prontos para este esclarecimento ("Vocês têm olhos, mas não veem; têm ouvidos, mas não ouvem"). O máximo que a ajuda exterior pode fazer, por cada um de nós, é sutilmente vitalizar o processo interior, latente em nossos corações.

Muitas vezes já nos foi alertado que, quando percebemos a Luz Divina, dentro de nós, temos a obrigação de caminhar em direção à Sua Fonte (a "Casa do Pai Celeste"); não podemos continuar aceitando a perpetuação da vida, nas trevas do ego, pois isto seria o cúmulo da fraqueza/baixeza: devemos nos esforçar por evoluir espiritualmente, transcender o egoísmo. O suor e o sangue, que antes investíamos para vencer no mundo, satisfazer desejos e nos submeter às paixões pessoais, agora devemos oferecer para vencer o mundo, derrotarmos a nós mesmos: uma reviravolta completa na vida ("Quem morrer para a vida, por Amor ao Cristo, nascerá para a VIDA"). Não há escolha, para quem foi agraciado pela Luz, pois saber que Sua fonte (o "Deus dos Vivos") existe, e não buscá-la com todas as suas forças, é muito pior do que a ignorância/cegueira anterior.

 

P.S.: Este texto foi iniciado há pouco mais de seis meses; mas, somente hoje foi concluído e publicado. É tipo "um puxão de orelhas" neste digitador, em momento oportuno, pois estou sob poderosa investida do mal interior (desejos). O texto talvez também sirva de incentivo/reprimenda para quem está na mesma situação: não quer continuar escravo do mundo e das próprias paixões, porém ainda não acumulou força suficiente para derrotar os inimigos da Verdade e da Vida...

 

 

26/06/2013

 

 

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