GRAÇA DIVINA 

 

 

Esta me parece ser a mais sutil e menos compreensível força da Natureza. Não adianta tentar explicá-La baseando-se nas Escrituras Sagradas e nos ensinamentos dos Sábios. Apenas a percepção de Sua atuação em nós, pode elucidar a questão. Ela é tão sutil que, mesmo quando já está atuando, pode demorar para nos darmos conta disto. Vou enunciar alguns sinais da Graça, perceptíveis na alma que digita este texto (única autoridade que me foi concedida), com o intuito de auxiliar os buscadores que, vez ou outra, sentem-se desamparados e/ou 'travados'. Aos impacientes, alerto que mais de uma década decorreu, antes da apreensão e da certeza de tudo que compartilho aqui...

É normal o buscador sentir-se desamparado, já que caminha na contramão do mundo e, muitas vezes, fisicamente só, em direção à meta da Vida (caso deste digitador). Encontrar um Sábio ou, pelo menos, um Santo em nossa jornada, é pouco provável que aconteça; então, mais prudente é não acalentarmos o desejo de conviver com um (bom) exemplo vivo, em carne e osso. Já tive tal desejo, descrito no texto "Um Sonho de Natal", e agora percebo que ele atrapalhou bastante, pois durante muito tempo achei que não progrediria, sem a orientação de um mestre exterior. Hoje sei que tal mestre não é indispensável, pois seria injustiça do Altíssimo, apenas eventualmente enviar Luz ao mundo, e somente para uma pequena parcela da humanidade. A Luz, o Reino de Deus, está dentro de todos nós, o tempo todo. Se, um dia, pudermos estar aos pés de um verdadeiro Mestre externo, ótimo; caso contrário, confiemos em nosso Mestre Interno. Em última instância, o que aquele vai fazer, é nos guiar para este, esclarece o Sábio de Arunáchala...

 

Pelo que me lembro, o primeiro sinal da Graça é algo como um alerta interior, uma sensação intermitente de que estamos desperdiçando a Vida; de que estamos no caminho errado. Isto acontece espontaneamente e nos faz começar a refletir sobre o mundo (primeiramente, o "exterior"; posteriormente, sobre o mundo "interior"). Ao perceber sensação semelhante, sabe que, tal qual ocorreu ao filho pródigo da parábola crística, chegou para ti a hora de fazer meia-volta e iniciar a jornada de retorno à casa do Pai Celeste, que também é tua.

Quando meditas ou oras com sinceridade, é a Graça Divina quem alerta que o pensamento está vagando, aos caprichos do ego; é Ela quem traz, a tua atenção, de volta para a meditação/oração; é Ela quem mostra onde está o adversário a ser vencido e a paz de espírito, que tanto buscamos. Sem a ação da Graça, o cativeiro nunca teria fim: Ela inicia o processo de libertação e, segundo os Sábios, nos conduz até a meta (Reino de Deus). Alguns podem desconfiar destas conclusões, mas pensai: vossas mentes se voltariam contra elas próprias? O ego atacaria o ego? "Pode um reino, desunido em si mesmo, sobreviver?", pondera o Grande Instrutor. O que vos está guiando contra a correnteza habitual, nos momentos de interiorização, é a Graça, o Cristo Interior. Refleti e vos livrai da dúvida, esta terrível defesa da mente/ego...

 

Enfim: não precisamos sinceramente rezar para que a Graça Divina nos seja concedida, pois, esta necessidade, é sinal de que Ela já começou a atuar em nós. Confia, prossegue com tuas práticas espirituais e aguarda, o mais pacientemente possível, o Seu trabalho em tua alma. Não tenhas pressa, pois a obra é gigantesca e leva tempo até que os resultados comecem a aparecer...

 

 

OBS.: como mencionado anteriormente, oração sincera, em 'minha' opinião, é pensar em Deus sem desejos de obter quaisquer benefícios para "eu" ou para "os outros" (egoísmo em ação, nos 2 casos: no primeiro, evidente; no segundo, disfarçado de altruísmo).

 

 

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27/12/2009

 

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