JESUS É ÚNICO?

 

 

Quando afirmamos que apenas Jesus Cristo foi (ou é) filho e porta-voz do Altíssimo; que não houve, no passado, e nem haverá, no futuro, alguém como Ele, estamos desrespeitando bilhões de pessoas que veneram Buda, Moisés, Maomé, Krishna, etc. Até mesmo Papas já declararam, publicamente, que Jesus é único. Ora, se age assim quem está lá no topo da hierarquia do Cristianismo, como agiremos nós, que estamos aqui embaixo e acreditamos neles? Tal sectarismo radical prejudica o mundo inteiro, pois o ódio/preconceito religioso dos ofensores, inevitavelmente provocará reação equivalente dos ofendidos ("Quem com ferro fere, com ferro será ferido", adverte a sabedoria popular). Contudo, este efeito colateral parece ser considerado tolerável, desde que mais e mais pessoas sejam convencidas da singularidade/imparidade de Jesus e, por isto, tornem-se ou mantenham-se cristãs.

Apesar de ter sido batizado como católico, não acredito que Jesus é único, já que a história registra, antes e depois Dele, exemplos de Vida tão sublimes quanto o Seu. Ele não foi o único que viveu com o exclusivo propósito de pregar, incondicionalmente, a Verdade (também conhecida como "Deus"); não foi o único a assumir o sacrifício máximo de entregar-se à morte física, por Amor à humanidade. Desde sempre, periodicamente Grandes Mensageiros vêm ao mundo como simples homens/mulheres, sujeitam-se a participar do drama cotidiano e demonstram, por Suas atitudes, como transcender as mazelas da existência. No entanto, gostaria de acrescentar: a descrença na singularidade do Cristo Jesus em nada reduz a admiração que tenho por Ele.

Muitos apelam para o argumento de que Jesus teria sido concebido no ventre de uma virgem; por isto, seria especial/único. Não é prudente interpretar, ao pé da letra, os textos das Escrituras Sagradas, pois a utilização de linguagem figurada/simbólica não pode ser descartada. Na prática, o que realmente importa é o exemplo de vida, a herança espiritual, o benefício para a nossa humanidade desgarrada, tão carente de Luz Divina: este é o diferencial entre os seres humanos comuns e os especiais, filhos de mães virgens ou não.

Quem acredita que Jesus é único, também prejudica a si mesmo, porque: [1] está entulhando de obstáculos mentais o caminho espiritual que conduz à verdadeira Felicidade, caminho este que Ele garantiu ser para todos; [2] nega e despreza as palavras dos demais Mensageiros do Altíssimo, palavras tão cheias de Vida/Amor/Verdade quanto as de Jesus, embora expressas de outras maneiras.

É maldade afirmar que nunca houve, nem haverá, alguém como Jesus. Bem... Imagino que a palavra "maldade" pode soar como infantil; não será, porém, ainda mais infantil a crença de que Ele é único? Que benefício nos proporcionaria, alguém que não pudéssemos tomar como exemplo, seguir seus passos até "Deus", por ser ele especial/único? Que interesse poderíamos ter, pela evolução espiritual, se nos fosse impossível alcançar o status de amados "filhos de Deus", como Jesus? Que deus seria tão sádico, ao ponto de nos enviar um mensageiro que aponta o caminho para uma meta atingível somente por ele? É como chupar um pirulito, diante de uma criança, repetindo: "Nossa, que delícia!"; e, quando ela pede um, lhe dizem: "Sinto muito, pequenino; este pirulito é o único que tenho".

Não nos deixemos influenciar pela religiosidade vigente. Repito que é maldade, a difusão da lenda de um Jesus único. Em nenhuma parte dos Evangelhos do Novo Testamento, Ele apresenta-Se como inalcançável/especial; ao contrário, incentiva a todos que O sigam. Ele nos convida: "Vinde para o Reino que vos está preparado desde o princípio do mundo" (Mateus, 25.34); todavia, quem difunde o erro em questão quer apagar a "Verdadeira Luz, que ilumina a todo homem (ser humano) que vem ao mundo" (João, 1.9). Não desanimemos, porém; com determinação busquemos, em nossos corações, a suprema Religiosidade ("Verdade" ou "Reino de Deus"), Aquela que transcende religiões e sofrimentos, como bem ensinaram o Grande Instrutor e outros grandes instrutores, sendo que, estes últimos, apenas usaram palavras diferentes destas:

"Buscai, antes de tudo, o Reino de Deus" (Mateus, 6.33).

"Conhecereis a Verdade, e Ela vos libertará" (João, 8.32).

"O Reino de Deus está dentro de vós" (Lucas, 17.21).

 

 

P.S.: Em caso de situação oposta, isto é, se tomarmos conhecimento de comentários tipo "Jesus é um mito" ou "Jesus é um mestre inferior", lembremos sempre deste Seu aparentemente absurdo ensinamento: "Não resistais ao mal" (Mateus, 5.39). Se a fé Nele for sincera, tais provocações não poderão nos indignar; afinal, Ele será reduzido a mito, ou mestre inferior, simplesmente porque algumas pessoas pensam assim? O que Ele é, dentro de nós, independe das opiniões exteriores. Nossa melhor resposta, aos anticristos, é um tranquilo silêncio. Deixar-se guiar pelo ditado popular: "Quem cala, consente", não convém a quem já descobriu, em seu coração, o significado de "Não resistais ao mal"...

 

 

 

08/05/2014

 

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