O JOVEM RICO

 

"Bem-aventurados os que se fizeram pobres, pelo Espírito, pois deles é o Reino de Deus"  (Jesus Cristo)

 

 

Nos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas está registrado o episódio em que um jovem rico dirigiu-se a Jesus. Há uma sutileza no caso, que levei algum tempo para perceber. O jovem aproximou-se e perguntou-Lhe: "Mestre, o que devo fazer para alcançar a Vida Eterna?". "Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres; depois, vem e segue-me". Surpreso com a resposta, ele afastou-se, cabisbaixo... Então, Jesus voltou-se para os discípulos e disse-lhes: "Como é difícil entrar no Reino de Deus aqueles que possuem riquezas! Mais fácil é passar um camelo, pelo orifício de uma agulha, do que entrar um rico no Reino de Deus". Ouvindo isto, aterraram-se os discípulos e perguntaram: "Quem pode, então, salvar-se?". "Para o homem, isto é impossível; mas, para Deus, tudo é possível", foi a Sua resposta.

Por que o susto, pelo fato de ser impossível os ricos alcançarem a Salvação/Libertação, já que a maioria dos discípulos e do povo judeu era formada por gente pobre? Esta pergunta me fiz, muitas vezes...

O Grande Instrutor ensina que há três tipos de riquezas: materiais, mentais e espirituais. A riqueza mental, que não é facilmente avaliável como a material, é aquela vinculada ao ego, à nossa personalidade. Ora, quando se trata de riquezas mentais (egoísmo), todos nós, seres humanos comuns, somos infinitamente ricos. Somos riquíssimos de orgulho, de ódio, de luxúria, de gula, de ganância, de preguiça, de intolerância, de "verdades", de sonhos/desejos, etc. Quando Jesus disse para o jovem desfazer-se de todas as suas riquezas, não era apenas ao dinheiro que Ele se referia; os discípulos entenderam a mensagem e assustaram-se, pois eles também eram "ricos". O que é sabido há pelo menos 2.000 anos, podemos observar hoje em dia: até mesmo as pessoas socialmente pobres, que exercem profissões humildes e que possuem pouca instrução escolar, são extremamente orgulhosas e egoístas, quando o assunto em questão lhes é familiar, ou quando está em jogo algo que lhes favoreça, ou quando decidem exercer o que acham ser "direitos" seus.

Tendo nós que, além de nos desfazermos de dinheiro, casas, automóveis e demais bens materiais, ainda temos que renunciar aos nossos queridos sonhos/desejos, às nossas verdades/opiniões, à família/amigos, ao orgulho, às recordações/emoções, aos prazeres e tudo o mais, o que nos restará, então? Quantos têm força suficiente para salvarem-se, por conta própria? Para os filhos do mundo (ricos de ego), a Libertação (Paz e Felicidade) é impossível, nos adverte Jesus; mas, para os filhos de DEUS, isto é facílimo, pois o trabalho que tinham que fazer, já fizeram: abandonaram as riquezas materiais/mentais e acumularam riquezas espirituais, que não estão na mente e nem nos bancos, mas sim adormecidas em nossos corações: Amor e Compaixão. Estas virtudes não são aqueles sentimentos que conhecemos pelos mesmos nomes, para os quais exigimos retribuições, compensações e gratificações. Os filhos de DEUS provam, por Seus exemplos de Vida, que os verdadeiros Amor e Compaixão são incondicionais, isto é: são distribuídos tanto para familiares e amigos, quanto para estranhos e inimigos.

 

OBS.: Como esclarecem os Sábios, renunciar ao ego e ao mundo não significa odiá-los. Cada um de nós tem que descobrir, por si mesmo, como deve relacionar-se com seu interior e com seu exterior, de forma a não ser escravo nem do ego e nem do mundo...

 

No dia em que, lendo mais uma vez o episódio do jovem rico, repentinamente o esclarecimento iluminou este coração, fechei os olhos e mentalmente perguntei: "Senhor, se eu abrir mão de tudo que exiges, o que será de mim? O que me sobrará?". Com um doce sorriso de compaixão, o Cristo manifestou-Se a esta consciência e suavemente respondeu: "Filho, te sobrará DEUS".

 

   

Senhor: faz, desta rica alma, a mais pobre entre todas...

 

05/10/2010

 

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