"NÃO RESISTAIS AO MAL" (3)

 

 

No texto anterior (Poder da mente), está escrito: "ceder aos impulsos e desejos é fraqueza, covardia e rendição ao inimigo". Como a frase pode ser interpretada de forma contrária à pretendida, vou tentar esclarecer a sua intenção. Novamente, alerto que o conteúdo desta página destina-se aos buscadores novatos, que ainda estão tateando (mais ou menos) no escuro. Este digitador não pode ser um instrumento para ajudar os experientes, pois ainda não alcançou esta categoria.

A dureza da frase, ao estilo do profeta João Batista, foi proposital, para ter mais chance de chamar a atenção e tocar os corações; porém, pode provocar reação adversa, se o orgulho contaminar a interpretação. Neste caso, a pessoa pode sentir-se ofendida e achar que foi sugerido que ela deixe de ser covarde e reaja imediatamente contra o adversário (ego/mente). Nas guerras mundanas, atacar o mais feroz e rapidamente possível é a resposta habitual; mas, na guerra espiritual, a única tática eficaz foi magnificamente sintetizada pelo Grande Instrutor: "Não resistais ao mal".

Não houve intenção de sugerir que entres em confronto com teu ego. Se, devido ao orgulho ferido, decidisses fazê-lo, esta decisão seria consequência de um desejo/impulso; todavia, desejos e impulsos são forças egocêntricas e, então, não haveria luta alguma dentro de ti: tudo seria uma encenação e mais forte ainda ficaria o inimigo. Em termos práticos, foi implicitamente sugerido (naquele texto e em qualquer outro deste sítio) que deves tomar consciência de teus pontos fracos; mas, sem te desanimar, culpar ou condenar.

Uns poucos segundos interiormente investidos na admissão da fraqueza e no fortalecimento da fé, de que a Graça está fazendo a Sua parte dentro de nós (embora discreta e lentamente), é a reação imediata que procuro aplicar. E esta reação é tanto mais eficiente, quanto menos emoções provoca. Pessoas próximas acham que, por ser duro comigo mesmo e disciplinado, gosto de me torturar e sofrer, mas não é assim (bem... as vezes é, porque todos nós, no final das contas, gostamos de sofrer; mas, isto é outra história). Como exemplo, gostaria de citar como procedi recentemente. Em uma madrugada destas acordei excitado, devido a um sonho erótico, e automaticamente olhei para a imagem do Senhor Jesus, na cabeceira da cama. Não tive vergonha por causa do tal sonho e não Lhe implorei perdão pelo dito "pecado" da luxúria, pois Ele bem sabe que, enquanto acordado neste mundo, estou me esforçando para vencer o mal. Apenas olhei em Seus olhos, me conscientizei da fraqueza, sinalizando-a mentalmente como "abominável", e pedi por mais paciência/determinação, para que esta alma prossiga na luta contra as terríveis tendências latentes; depois, voltei a dormir, sem peso na consciência. É claro que nem sempre consigo reagir corretamente, pois o autodomínio ainda é intermitente; mesmo assim, continuo tentando evoluir...

 

Já experimentei três métodos com o intuito de aprender a (não) resistir ao mal:

1. Ignorar o ego, voltando toda a atividade mental para Aquilo que chamamos DEUS. Nem mesmo devem ser aceitos pensamentos e desejos aparentemente "bondosos", que visem benefícios pessoais ou coletivos. Como afirmou o Senhor Jesus, o Pai Celeste bem sabe de tudo o que precisamos, muito antes de nós mesmos sabermos.

2. Manter atenção constante sobre o ego, isto é: observar, como um imparcial expectador, os pensamentos, sentimentos, sensações, emoções, etc. Alguns guias aconselham esta vigilância, mas acho que Ramana Maharshi diria (ou disse): "isto é como mandar um ladrão vigiar a si mesmo".

3. Desmascarar o ego, através da autoinvestigação "quem sou eu?". Método mencionado em textos anteriores e que, hoje em dia, é o único que utilizo.

Segundo os Sábios, qualquer forma de afastamento (não resistência) em relação ao ego, resultará em seu gradual enfraquecimento, até que ele deixe de ser o senhor de nossas vidas. Apesar da mente continuar sendo usada, ela irá aos poucos se "purificando", se o esforço espiritual for sincero, pois certo é que, então, despertou em nós o mais poderoso dos aliados: a Graça Divina.

 

 

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16/01/2010

 

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