"ESTEJAIS NO MUNDO, MAS NÃO SEJAIS DO MUNDO"

 

 

Em várias passagens dos Evangelhos do Novo Testamento, o Senhor Jesus refere-se à relação que o homem deve manter com o mundo e a conclusão está expressa na frase-título deste texto. Com Seu exemplo de vida, Ele provou que esta atitude é possível e correta.

Nunca soube de homem algum que, estando tão mergulhado no mundo, não tenha sido influenciado por ele. O Cristo sempre esteve cercado por pecadores e nunca pecou. As tentações da carne (dinheiro, sexo, fama, etc.) nenhum poder tinham sobre Ele. Portanto, o Grande Instrutor tem autoridade para afirmar: "Eu venci o mundo" (João, 16.33).

Em todos os tempos, os Sábios nos têm alertado que, para nos libertarmos do opressor ego/mente, devemos renunciar ao mundo. Para que não haja erro de interpretação, Eles avisam que esta renúncia não envolve, necessariamente, o abandono de exterioridades, que são muitas e muitas; então, a única renúncia indispensável é a do ego (mundo interior), porque esta entidade é a fonte da escravidão: vencendo-a, automaticamente todos os demais apegos desaparecem e o homem 'entra' no Reino de Deus. Por minha experiência pessoal, percebo que é muito difícil chegar, de uma vez só, à fonte do mal; então, estou caminhando dentro das possibilidades desta alma e renunciando um pouco, a cada dia (isto é, tentando cada vez ser menos do mundo...).

 

Uma questão que já me foi apresentada várias vezes e que até hoje não tinha me animado para contestar é: Por que Deus criaria o mundo e todos os seus encantos e prazeres, se não fosse para que nós os gozássemos? Esta pergunta não costuma ser respondida, porque não é sincera, já que o questionador apenas quer se livrar da culpa, para poder viver, sem remorsos, o melhor dos reinos do céu e da terra: ele diz acreditar no Criador e, em contrapartida, exige a Sua ajuda nos momentos de adversidades; mas quer, também, aproveitar ao máximo "tudo de bom que a vida nos oferece". Entretanto, como já comentei em outros textos, os Sábios avisam que isto é impossível. Temos que escolher entre o mundo (prazeres efêmeros e os sofrimentos decorrentes) e o Reino de Deus (Paz e Felicidade eternas). Se algum sentimento ou voz interior nos convence de que devemos gozar a vida, este conselho não vem do Altíssimo, que, segundo as Escrituras Sagradas, criou o homem à Sua imagem e semelhança; vem, sim, do "Deus" criado à imagem e semelhança do homem e que não passa de uma armadilha da mente. Se as pessoas à nossa volta nos dizem para gozar a vida, também deveríamos saber que os seus conselhos não estão sendo espiritualmente inspirados... Apenas por questão de educação, algumas respostas têm sido apresentadas pelos Sábios e, é claro, que poucos as consideram convincentes, porque não atendem aos seus interesses pessoais (do ego).

A primeira resposta é concisa, ao estilo de Bhagavan Ramana Maharshi. Dizem que Deus criou o mundo perceptível; entretanto, quando alguém está dormindo (isto é, livre do ego/mente), existe o mundo para ele(a)? Então, será o mundo criação de Deus, ou da mente desperta?

Bhagavan Ramakrishna, assim como o Senhor Jesus, costuma destrinchar os mais intrincados dilemas existenciais, valendo-se de singelas parábolas, e nos fornece a segunda resposta. Ele diz que o Altíssimo criou este grande parque de diversões, que é o mundo com todas as suas maravilhas, para que as Suas crianças (nós) brinquem à vontade e, depois, espontaneamente descubram que há algo muito melhor do que aqueles tão queridos brinquedos. Segundo Ramakrishna, este é o jogo da vida: a criatura deve crescer (evoluir) e compreender que os prazeres do grande parque de diversões duram pouco e, depois, provocam muito sofrimento; ela, então, naturalmente se voltará para o dono do espetáculo, o Criador.

A contradição entre as duas respostas acima, é apenas aparente. Elas são verdades, em seus planos de realidade (relatividade) e adequadas às ocasiões em que foram apresentadas. Estes mesmos Sábios afirmam que a Verdade Absoluta sobre o assunto, não pode ser expressa em palavras, da mesma forma que ninguém pode, por exemplo, explicar qual o sabor de um pêssego. Para conhecer o gosto desta fruta, é preciso prová-la;  o mesmo se dá com a resposta definitiva para o show da vida...

 

 

Senhor, que seja como Tu queres e, não, como eu quero.

 

04/02/2007

 

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