PARENTESCO & AMIZADE 

 

"E por acaso não destruímos os nossos inimigos, quando os tornamos nossos amigos?"

 

 

Filósofos, pensadores e cientistas encantam as pessoas dotadas de grande capacidade intelectual. Este texto foi motivado pela frase acima, da qual recentemente tomei conhecimento por acaso (não procurei saber o nome do autor, mas acho que é/foi um pensador famoso). Ao tema "amizade", juntou-se o tema "parentesco", pois considero que são relacionados entre si.

Nos Evangelhos dos Grandes Mensageiros do Altíssimo, não há apologia ao parentesco carnal e à amizade mundana. Ao contrário, Eles avisam que estas convenções são obstáculos/limitações em nossas vidas, pois exigem grandes cuidados/atenções e nos tomam muito tempo, que melhor seria aplicado na busca espiritual; o que ganhamos com a convivência social, é infinitamente menos valioso do que o prêmio por não participarmos dela (Paz e Felicidade). Observo em "mim" e nos "outros" o quão nefasto são os vícios, quanto tempo e esforço exigem de nós, para mantê-los. E, no final das contas, cultuar e praticar rituais e convenções sociais de parentesco e amizade, são vícios também, que começamos a semear desde a mais tenra infância, observando nossos familiares e educadores. Reconheço que é reconfortante e prazerosa a sensação de poder contar com família, amigos, médicos e saldos bancários, nos momentos difíceis da vida; mas, como lembrado em outro texto, quem deposita sua confiança neles, e espera sua ajuda e apoio, não confia em DEUS e por Ele não é ajudado. Não adianta andar com crucifixo pendurado no pescoço, Bíblia debaixo do braço e rezar diariamente, porque estes hábitos não aproximam, o ser humano, do Criador; se assim fosse, o mundo seria um paraíso. Não se engane, achando que é possível amar/servir a dois senhores, ao mesmo tempo: o ego/mundo e o Senhor. Temos que escolher um deles...

 Já ouvi/li várias vezes que estrutura social, ciências, etc. etc., são criações do Altíssimo e que, portanto, não nos afastariam Dele. Nas situações onde um debate poderia ocorrer, não me manifesto sobre estas verdades mundanas, mas a Verdade é que Ele não criou amizades, parentescos carnais, filosofia, medicina, dinheiro, etc.; isto tudo foi criado pela mente humana. Como explicou Bhagavan Ramana Maharshi, DEUS não tem propósitos e desejos; Ele é como o Sol, que não está preocupado por iluminar a Terra, para que prospere a vida. O Sol se mantém desapegado dos benefícios e malefícios (aparentes) que seus raios provocam, e o mesmo se dá com o Altíssimo, que simplesmente criou a lei do carma. Sendo assim, tudo de bom e ruim que acontece no mundo, é apenas resultado de nossos pensamentos e consequentes atos, de nossos erros e acertos (destino); não há Sua participação/interferência. 

Os filósofos exercitam somente o intelecto, não meditam, e sua frase favorita é "Penso, logo existo"; então, sempre erram e não ajudam a humanidade. O argumento filosófico da frase "E por acaso não destruímos os nossos inimigos, quando os tornamos nossos amigos?" seria verdadeiro, se estivesse acima da relatividade universal. O inimigo, ao se tornar amigo, não é destruído, pois pode tornar-se novamente inimigo, se não tomarmos muito cuidado com a amizade. Este é o problema: amizades são negócios como outros quaisquer e duram enquanto os interesses de ambas as partes estiverem sendo atendidos. Por exemplo: dou um pirulito para alguém que gosta de doces e, por isto, esta pessoa torna-se amiga. Se este relacionamento for vantajoso para mim, sou obrigado a continuar dando pirulitos para ela, do contrário ficará ressentida e lá se vão a amizade e as vantagens que eu desfrutava... e as experiências da vida indicam que, quanto maior é a amizade, maior será a inimizade; quanto mais damos, mais os "amigos" exigem e maior será o ressentimento futuro. Relações entre parentes de sangue são idênticas: tanto o filho pode arriscar sua vida para salvar a mãe, quanto pode mandar matá-la, para tomar posse da herança familiar.

Bem, como usei aí em cima a expressão "arriscar sua vida", gostaria de fazer uma observação sobre o tema. Frequentemente, tomamos conhecimento de atos rotulados como comoventes e heroicos, tipo alguém arriscando a própria vida, para salvar um parente/amigo ou mesmo um desconhecido, mas quem concorda com isto nunca deve ter refletido sobre o que provocou aquela atitude. Observemos os animais: quando seus filhotes são ameaçados por predadores, a mãe os protege enquanto acreditar que sairá viva da situação; no momento em que tiver certeza de que morrerá se insistir na defesa de sua prole, ela abandonará a luta, deixando-os entregues à própria sorte. O homem que entra na casa em chamas, acredita que sairá vivo/ileso de lá, com a vítima nos braços, e que será aclamado herói. Se tivesse certeza de que salvaria uma vida, mas que perderia a sua logo depois, em consequência de prováveis queimaduras, ele não entraria na casa. As nações e as minorias homenageiam seus heróis-mártires, mas eles morrem buscando poder, fama e fortuna para si. São raríssimos os Cristos, que dão as próprias vidas pelo bem da humanidade.

Não incentivo as pessoas a confiarem em (dependerem de) mim e serem minhas amigas, pois sei que, na hora "H", é cada um por si, e não sou exceção; também não classifico ninguém como "amigo", pelo mesmo motivo. Hoje percebo que, esta atitude, já me livrou de muitas tristezas, decepções e cuidados. As sensações de insegurança e medo, por caminhar só pelo mundo do homem, estão diminuindo, e, os transitórios incômodos íntimos que elas provocam, a Graça Divina me tem dado forças para suportar. Quando comecei a perceber que os "outros" não são confiáveis, confesso que fui invadido por sentimentos de frustração e rancor; era revoltante saber que, alguém tão correto e confiável quanto "eu", não podia confiar em ninguém. Felizmente, hoje sei que sou tão digno de confiança quanto os demais seres humanos e, em razão disto, aqueles terríveis sentimentos estão gradativamente desaparecendo (será que estou começando a aprender a perdoar?).

Não pretendo, com este texto, incentivar o desprezo pela família e pelos amigos. A mensagem e o exemplo dos Sábios são claros: devemos respeitar todos os seres humanos, como se fossem nossos pais, irmãos e amigos; entretanto, devemos confiar somente no Pai/Mãe/Amigo/Médico Celeste. Mas, qual a maneira correta de confiar Nele? Acredito que seja aceitando paciente e incondicionalmente os Seus desígnios/vontade (lei do carma), sem buscar o consolo exterior; agradecendo, com o mesmo fervor e gratidão, tanto pelas coisas boas, quanto por aquelas que nos parecem más...

 

 

Senhor, que parentes e amigos não retardem ainda mais esta alma, em sua jornada de volta para Casa...

 

11/05/2010

 

 

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