PAZ

 

Todos anseiam por Paz; porém, nossas experiências de vida indicam que nela não há Paz, apenas momentos de calmaria, como ocorre no centro ("olho") de um furacão. Lá, temporariamente reina tranquilidade; mas, não é despreocupada, pois quem está no olho dele sabe que, em breve, os terríveis ventos recomeçarão. E nossas vidas são exatamente assim, pois vivemos em um eterno furacão chamado "mundo"...

Este texto é continuação do anterior ("Confiar em Deus"), pois prossegue com a pretensão de apontar um dos caminhos para a Paz. Com tal intuito, gostaria de transmitir um pouco das experiências práticas deste digitador, obtidas através da autoinvestigação (atenção interior). Advirto que ainda não consigo viver na Paz que confirmei existir em mim mesmo, já que a mente é o pior inimigo da Paz: as tendências mentais são muito fortes e precisam ser gradativamente enfraquecidas.

Verdadeira Paz é fácil e difícil, ao mesmo tempo. É fácil, porque independe de fatores externos a nós e está sempre conosco, latente em nossos corações; é difícil, porém, porque ainda não estamos dispostos a pagar seu (aparentemente) alto preço.

Paz no mundo, como mencionado em textos anteriores, depende da Paz Interior, que tão somente pode ser vivenciada pelas mentes calmas. Se sinceramente interiorizarmos a atenção e observarmos o que provoca agitação mental, chegaremos sempre aos mesmos vilões: sonhos, desejos, planos, objetivos, paixões (ódio, inclusive), recordações, curiosidade (sede por conhecimento/informações), orgulho, vaidade, ambições, etc... isto é: exatamente tudo o que amamos e nos dizem ser "bom" e indispensável, são os dissipadores da Paz. E, como acreditamos que estas coisas realmente são boas e indispensáveis, nós mesmos tornamos quase impossível a missão de abandoná-las.

Ao prestarmos atenção em quaisquer tipos de informações sensoriais (visão, audição, etc.), elas ficam "fermentando" na mente, e podem nos estressar durante pouco ou muito tempo, dependendo de força/persistência/desdobramento do pensamento inicial. É por isto que ensina o Senhor Jesus: "Entrai no quarto e fechai a porta" ("entrar no quarto" significa mentalmente entrar em si mesmo, voltar a atenção para a sua própria consciência; "fechar a porta" significa interromper a passagem dos cinco sentidos para a consciência, assim bloqueando a entrada, na mente, das informações sensoriais). Quando, por exemplo, investimos atenção em filmes, documentários, shows, noticiários, palestras, fofocas, etc., estamos aumentando a carga mental e isto significa menos Paz... E as consequências de nossa fraqueza, ou ignorância, não limitam-se ao que chamamos de "vida", mas a toda Existência, porque as tendências mentais da alma não morrem juntamente com o corpo físico. Tal continuidade é conhecida como "carma" ou destino, e não importa porque é assim, pois tentar esclarecer intelectualmente este mistério divino é mais uma desculpa para exercitar o vício/prazer de pensar/analisar e, consequentemente, de agitar a mente. É assim por Vontade de "Deus" e acabou...

Eis outro exemplo da guerra interior, que dizima a Paz. Esperava me manter indiferente à copa do mundo 2014; contudo, uma informação ouvida aqui, outra ouvida ali, acabaram provocando pensamentos sobre o assunto, que desdobraram-se em: [1] recordações de copas passadas, assistidas nos tempos em que o futebol me interessava e [2] imaginações/especulações sobre quem seria o campeão da atual, da próxima, etc. Algumas vezes em que tais devaneios ocorreram, percebi a agitação mental chegando, o ritmo cardíaco aumentando, e consegui rapidamente interromper o processo. Precisamos permanecer atentos e parar tudo, mesmo quando os pensamentos são agradáveis/prazerosos. Desta forma, os sábios garantem que eles não abrirão novas "trilhas" de tendências mentais (carma); então, não poderão nos prejudicar, no presente e no futuro.

 

Este texto é mais informação para a tua mente e isto contraria o que foi exposto acima; no entanto, tem o intuito de ajudar-te a obter a certeza de que pensar pouco é o caminho para a Paz. E, quando esta certeza chegar, espero que esqueças esta web-página e te esforces por concentrar a atenção em "Deus", que mora no teu coração, durante o máximo de tempo possível. Este tipo de atenção, voluntariamente aplicada, acalma o caldeirão mental e nos aproxima da Paz Eterna (OBS.: dormir é a maneira involuntária de serenar a mente; mas, não resolve o problema porque, ao acordar, continuamos tão distantes da Paz quanto antes).

Como viver no mundo, concentrado em Deus, sem sobrecarregar a mente em meio à correria da vida? Não sei, ainda estou tentando descobrir... sei, porém, que é possível para todos nós.

 

Não incomodemos o mundo inteiro, clamando publicamente por Paz, pois isto é hipocrisia; que iniciemos a jornada, em direção a ela, de forma discreta e sincera, cada um primeiramente esforçando-se para conquistar sua Paz Interior. Quanto mais pessoas autopacificadas, mais Paz no mundo...

 

 

 

18/07/2014

 

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