PODER E COMPAIXÃO

 

 

Para refletirmos, seguem dois contos budistas, encontrados em um precioso livrinho intitulado "O Evangelho de Buda", e adaptados livremente por este digitador.

 

 

Certo dia, o Senhor Buda reuniu os discípulos mais próximos e disse-lhes:

"Filhos, estou velho e o meu fim se aproxima. Em breve, herdareis os bens e o poder do Buda. Serão vosso o meu reino, o meu castelo, o meu trono, minha coroa e minhas vestes reais; tereis poder sobre todas as criaturas e coisas. Devei, pois, estardes preparados para o reinado. Sabei, contudo, que o Reino do Buda é a Verdade; o seu castelo, o Amor incondicional; o seu trono, a infinita compaixão por todos os seres vivos; sua coroa, humildade e mansidão; e, suas vestes reais, o manto ocre dos renunciantes. O poder da Verdade será vosso, mas lembrai-vos que usa-o sabiamente aquele que converte seus semelhantes pelo Amor e, não, pela força ou iludindo-os com promessas de conquistas, neste e em outros mundos. Que cada um de vós seja rei de si mesmo e digno pregador da Lei".

 

 

Um membro ortodoxo da casta mais elevada, da sociedade indiana, aproximou-se do Senhor Buda e criticou-O:

"Dizem que ensinas a Boa Lei, mas observo que desdenhas a religião. Teus discípulos menosprezam as cerimônias e os ritos de sacrifícios".

Pacientemente, respondeu-lhe o Sábio:

"O único sacrifício necessário é o da personalidade (ego). Sacrificar animais, nos altares dos deuses, derramando o sangue de seres inocentes e indefesos, não limpará o vosso sangue do pecado e do erro.

"A vida é uma dádiva maravilhosa e deve ser respeitada por todo homem piedoso; todas as criaturas amam-na e lutam por ela. O homem implora pela misericórdia dos deuses, mas não tem misericórdia pelos animais, para os quais ele é como um deus. Tudo que vive está ligado por laços de parentesco e os animais que matais hoje, já vos alimentaram com seu leite, vos protegeram das intempéries com sua lã e depositam sua confiança nas mãos que os imolam"

 

A dura verdade, expressa no parágrafo acima, provocou impacto fulminante na vida deste digitador, no instante em que a li pela primeira vez. Embora nunca tenha tirado a vida de animais por motivos ditos 'religiosos', fazia isto por prazer, pois, até ler "O Evangelho de Buda", era apaixonado praticante do esporte conhecido como caça/pesca submarina. Depois de perceber o erro, a compreensão foi crescendo dentro deste coração e, em pouco tempo, abandonei aquela atividade esportiva, que praticava todo fim de semana, e nunca mais empunhei uma arma, para matar peixes ou quaisquer outros seres vivos...

Que a mesma 'devastação', aquele sublime Destruidor de Ilusões provoque na vida de quem ler este texto. Amém.

 

 

Senhor, faz de mim um instrumento de Tua Paz.

 

06/09/2008

 

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