RAMANA MAHARSHI

 

 

 

Assim como milhares de buscadores, mundo afora, cheguei ao Sábio Ramana sem ajuda ou sugestões. Não vou cometer o erro de compará-Lo com outros grandes guias da humanidade, pois não tenho competência para isto. Ele é, simplesmente, aquele que mais convém a esta alma (não sei a razão, apenas sei...). Estou escrevendo este texto porque Seus ensinamentos têm sido mal interpretados e muitos podem estar perdendo, por preconceito, a oportunidade de suas vidas.

 

Os Salvadores do mundo não estão preocupados com popularidade, porque são candidatos a nada. Seu único compromisso é com a transmissão e o cumprimento da Verdade, incondicionalmente; então, muitas vezes Eles são duros e intransigentes. Lembremo-nos das palavras do doce Senhor Jesus:

"Deixai que os mortos enterrem seus mortos"

"Minha mãe e meus irmãos são aqueles que cumprem a vontade de Deus"

Muitas outras duras lições, o Grande Instrutor nos deixou. Como já disse antes, quem procura consolo para o ego e busca unicamente o perdão amplo, geral e irrestrito para os seus erros, se decepcionará com os Destruidores de Ilusões.

Embora mensageiros da Verdade Única, os Sábios não são cópias uns dos outros e transmitem-Na de formas diferentes; mas, nunca há divergências entre Seus ensinamentos (apesar de, segundo os padrões mentais, haver). A diversidade de métodos torna universal o alcance da Verdade, moldando-Se Ela ao caráter e individualidade de cada ser humano. É por isto que não me empolgo com alguns Mestres, que outros veneram, e vice-versa. Neste ponto, deveríamos tentar exercitar tolerância e humildade, permitindo que cada um siga o caminho que acha mais indicado para si. Se não for o caminho certo, no devido tempo a própria pessoa descobrirá isto. Bem, após a introdução, iniciemos o assunto deste texto: o Sábio de Arunáchala.

 

Bhagavan Ramana Maharshi chegou à Iluminação aos 16 anos, sem a ajuda de ninguém deste mundo. Passou uns 3 anos em meditação/reclusão silenciosa e, depois desta fase austera, viveu humildemente e falou pouco, durante os 50 anos seguintes, até o abandono do corpo físico, em 1950. Discretamente vivia no sul da Índia, em uma região inóspita e distante; porém, assim como a abelha sempre encontra a flor que a alimentará, buscadores do mundo inteiro descobriram onde havia alimento espiritual e enfrentavam a dura viagem até lá, simplesmente para estar em Sua presença. Ele nunca aceitou o título de 'Guru' e nem correu atrás de discípulos. Segundo os padrões sociais, era um alienado, que não se interessava pelos problemas do mundo.  No entanto, como pode ser considerado egoísta e insensível, alguém que passou meio século à disposição de todos que o procuravam, a qualquer dia ou hora, sem nunca procurar tirar vantagem da situação? Que nunca pensou em si mesmo, em gozar os prazeres da vida? Se alguém que não conhecemos quiser uma entrevista conosco, antes vamos avaliar se vale a pena perder/investir tempo com tal pessoa e talvez marquemos o compromisso para o mês seguinte, afinal somos muito ocupados e importantes... A aparente indiferença pelo destino dos homens, na verdade, deve-se à Sua certeza de que cada um já traçou, anteriormente, o seu próprio destino e que, agora, tem que arcar com as consequências de seus atos. Afirmou, categoricamente, o Mestre Ramana: "O que tiver que acontecer, acontecerá, não importa o esforço que se faça para evitar". O Cristo disse o mesmo, com outras palavras: "Não tendes poder nem sobre um fio de cabelo de vossas cabeças". O Senhor Buda advertiu: "A roda do carma está girando e nada pode interferir em seu movimento". Como sempre, nenhuma divergência entre Sábios...

Não deveríamos julgar as atitudes de homens que estão muito além de nossa compreensão e comparar Suas vidas. O Senhor Jesus foi atrás dos discípulos, porque sempre soube que Seu tempo seria curto. Já Bhagavan Ramana esperou pacientemente por eles e explicou, aos insatisfeitos, que cada um consegue a quantidade de água que cabe em sua vasilha. Quem chega com uma xícara, só pode levar esta medida de água, embora o poço esteja cheio. Muitos não entenderam ou, por ressentimento, fingiram não entender este recado...

Um dos principais motivos da insatisfação daqueles que foram a Arunáchala, era o balde de água fria jogado sobre os seus desejos egoístas de melhorar o mundo (um dos modismos do século XX). Ninguém consegue enganar um verdadeiro Sábio; todos somos livros abertos para Eles. Quem procurou Bhagavan Ramana, buscando Sua aprovação para seus objetivos pessoais, voltou para casa decepcionado... Percebo que a tentativa de dar um sentido especial à vida, fazer algo grandioso e inesquecível, escrever nosso nome na história, levou-nos a crer que podemos mudar o mundo e acabamos nos afastando ainda mais da meta da existência, singelamente ensinada pelo Cristo: "Buscai, antes de tudo, o Reino de Deus". Esta é a tarefa mais grandiosa da vida do homem. Depois de cumprirmos esta missão primordial, aí sim, poderemos pensar em construir hospitais, socorrer os indigentes, proteger a natureza, etc. Atenção, pois este ensinamento não é do egoísta aqui: são os Sábios que dizem isto. Este que escreve, humildemente, apenas concorda com Eles.

Não que seja errado ajudar o próximo, pois isto poderia ser um exercício de Amor e Compaixão, que não tem contraindicação. O problema é que a maioria dos homens 'ajuda' o mundo por interesse pessoal (egoísmo) e acaba mais atrapalhando do que ajudando. Não faço parte da minoria que age segundo os ensinamentos do Senhor Krishna, descritos no Bhagavad-Gîtâ e, talvez, a única diferença entre quem está lendo e quem está escrevendo, seja que, este último, está esforçando-se para não ser mais enganado pelo ego, que continua tentando mantê-lo na ilusão de que é um homem perfeito e que está pronto para contribuir para a salvação do mundo. Se os textos publicados ajudarem os visitantes da página, não é por competência do digitador, que não passa de um intermediário. Apenas menciono e comento os ensinamentos de homens comprovadamente Sábios, sempre alertando o leitor de que não sou o dono da Verdade e que ele precisa encontrar, dentro de si mesmo, as respostas para as suas dúvidas; não tenho respostas para a humanidade, pois também estou procurando por elas ("Um cego não pode guiar outro cego" - O Cristo). Sugiro esta atitude sem receio de que ela prejudique alguém. Quando afirmo, com convicção, que as respostas estão dentro de você, é porque as tenho encontrado dentro de mim e, neste quesito, todos somos iguais. Não é perigoso seguir esta orientação pois, então, você não precisará submeter-se ao ego que escreve ou a qualquer outro, para encontrar a Paz e a Felicidade ("O Reino de Deus está dentro de vós" - O Cristo). A submissão ao ego (próprio e de terceiros) é a causa de toda nossa infelicidade e escravidão. Observação: submeter-se de Coração aos verdadeiros Sábios não é escravidão; a história nos mostra que, ao contrário, quem entrega sua vida a Eles (que transcenderam o ego), entra no caminho da libertação. Os Sábios não querem escravizar e explorar ninguém e a humilde frase de Ramana Maharshi comprova isto: "Aquele que vocês chamam de 'Bhagavan' (manifestação de Deus) apenas ajuda o discípulo a encontrar o Bhagavan Interior, que é o verdadeiro Mestre de cada um".

Hoje sei por que desde a adolescência sempre tive natural aversão para dar conselhos aos outros e tentar mudar o mundo: mesmo desconhecendo a causa, intimamente sabia que era errado, que não tinha autoridade para ajudar ninguém. Não aprendi esta e outras Verdades com os Sábios: Eles apenas confirmaram o que eu sempre soube (conscientemente ou não). Ninguém aprende nada com os Sábios, pois Eles apenas despertam o que está adormecido em nós. É este o motivo que levou alguém tão descrente do mundo quanto este digitador, a confiar irrestritamente em alguns homens: Eles não são deste mundo, Eles são de dentro de mim/nós. Quem já passou por esta experiência, sabe que é impossível ter dúvidas sobre Eles. Esta revelação, tão evidente, mas que apenas neste instante me ocorreu em palavras, responde à provável pergunta: "Se a Verdade está dentro de mim, por que eu precisaria dos Sábios?".

 

Voltando ao assunto principal do texto... Apesar dos muitos que se decepcionaram com Bhagavan Ramana, os relatos escritos confirmam que, quem procurou-O com o coração aberto, encontrou mais que um pai protetor e uma mãe amorosa. Homens, mulheres, crianças e animais domésticos/selvagens chegavam, sentavam-se nas proximidades do Sábio e, sem que uma palavra sequer fosse dita, minutos ou horas depois iam embora, com suas cargas de sofrimentos aliviadas, suas vidas transformadas para sempre (os animais eram tratados com o mesmo respeito dispensado aos humanos). Gente chorando diante de tanta Santidade, era cena comum. Registros pessoais de devotos que nunca estiveram diante da presença física do Mestre, mas que sinceramente oraram por Sua ajuda, provam que Ele está além do espaço e do tempo. Será que para ajudar o mundo, é necessário fazer discursos bombásticos? Construir creches? Não será, o Silêncio de um homem de Deus, muito mais eloquente e eficiente? Estas perguntas são apenas para os descrentes; aqueles que acreditam Nele, conhecem há muito tempo as respostas...

 

 

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12/06/2007

 

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