UM SONHO DESMASCARADO 

 

 

Há muitos anos venho refletindo sobre os níveis de consciência que percebo em mim mesmo (ver OBS.).  Em relação aos sonhos, parei de procurar explicações para eles e agora uso-os como referência para aferir o grau de "realidade" que há no estado de vigília (o estado de consciência em que estamos agora, o leitor e o digitador, onde existe a percepção deste mundo).

A sutil e insistente influência que a mente exerce, para nos convencer da realidade em que estamos agora mergulhados, pode facilmente ser contestada através da comparação com os sonhos. Se, neste momento, sinto que a cadeira onde este corpo está sentado é real porque é sólida, recordo-me que, nos sonhos, as cadeiras-sonho também são sólidas para o sonhador. Se ele senta-se em uma cadeira-sonho, ela não se desfaz, como nuvem: ela existe, com o mesmo grau de realidade do sonhador, e sustenta aquele corpo-sonho na posição 'sentado'. Então, constato que o conceito "solidez" não é fator determinante de Realidade (Verdade). E assim podem ser desmascaradas todas as artimanhas mentais. Atenção, pois não vale afirmar a irrealidade do estado de sonho neste momento, quando estamos acordados (isto é, em estado de vigília). Até as crianças sabem, quando despertas, que os sonhos não são reais. Quem quiser ser imparcial, deve recordar qual é sua atitude em relação à realidade de um sonho, mas enquanto ele está acontecendo, e comparar aquele grau de certeza com este que tem agora, de que a vigília é real.

Considerando a experiência pessoal, até ontem achava que, apenas no estado de vigília, seria possível desconfiarmos da "realidade" que a mente e os sentidos nos impigem. Não poderíamos desconfiar do mundo-sonho, durante o sonho, pois ele é curto (ao contrário da vigília, que é longa) e, consequentemente, não haveria tempo para o sonhador suspeitar de sua irrealidade; o engano somente seria percebido após o despertar. Esta era a "minha" experiência, até ontem.

Contudo, nesta madrugada aconteceu um fato realmente surpreendente e inédito: a esposa aproximou-se de mim, em desespero, e começou a narrar algo que não lembro o que era, mas que produziu imediata e profunda angústia. Após alguns segundos dramáticos, repentinamente ouvi a Voz Interior: "Acorda agora, pois isto é um pesadelo". Assim que veio a ordem silenciosa, abri os olhos e encontrei-me na velha cama de sempre, com a esposa tranquilamente dormindo ao lado. É... a grande ilusão cósmica, como a chamam os hindus, apenas nos dá descanso/paz durante o estado de sono sem sonhos...

 

 

OBS.: logo após escrever a frase: "Há muitos anos venho refletindo sobre os níveis de consciência que percebo em mim mesmo" , senti que ela é incoerente, mas preferi não corrigi-la, já que a correção seria feita pelo intelecto e acabaria com a espontaneidade da mensagem. Para não misturar os assuntos, no próximo texto tentarei esclarecer o que percebi de errado, nesta frase.

 

 

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20/03/2010

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