SONHOS   

 

 

O título deste texto refere-se a dois significados para a mesma palavra: sonho como sinônimo de desejo e sonho como estado mental.

 

Repito que é grande a quantidade de gente pregando que não devemos desistir de nossos sonhos (desejos). E não apenas ilustres desconhecidos cometem este erro, mas também os famosos e reverenciados, aqueles com grande poder de persuasão (guias religiosos e outros tipos de lideranças). No entanto, qualquer observador imparcial pode perceber que, quem decide viver para realizar sonhos, vai passar a vida inteira correndo atrás deles, nunca terá descanso e paz, já que a quantidade de sonhos, capaz de produzir a mente inconsciente, com certeza é maior do que o número de gotas d'água que há em todos os oceanos. As pessoas que aconselham isto se dizem cristãs, provavelmente andam com crucifixo no pescoço, choram e cantam "Jesus, Jesus, eu te amo!". No entanto, nos Evangelhos do Novo Testamento não há qualquer ensinamento do Cristo que confirme tais conselhos. Ele (Jesus) nos alertou, explicitamente, que O amam com sinceridade aqueles que cumprem a vontade do Pai Celeste, expressa em Suas palavras e em Seus atos. Incentivo aos sonhos também não é encontrado nos Evangelhos de Ramana Maharshi, de Buda, de Krishna, de Ramakrishna, de São Francisco de Assis ou de qualquer outro ser humano que prove, com atitudes, realmente amar as criaturas e o Criador, conhecido como "Deus", "Alá", "Jeová", "Brahman", "Pai" ou qualquer outro nome. Aliás, exatamente o oposto Eles ensinam, isto é: por Amor ao mundo e a DEUS, devemos renunciar ao amor-próprio (egoísmo, que se manifesta sob a forma de sonhos, desejos, orgulho, vaidade, possessividade, etc.). Então, fica no ar a pergunta: "Em qual turma devemos acreditar?". Lembremo-nos, sempre, que cada um encontra exatamente o mestre que faz por merecer. Então, se resolveres viver segundo os mandamentos dos profetas mundanos, não reclames do teu destino...

Dia destes, alguém me disse que era infeliz porque não tinha sonhos. Como sempre, nada respondi na hora, pois é neste web-espaço que me dedico a destruir nossas ilusões. Na verdade, os raríssimos afortunados que não têm sonhos, a história mostra que são completamente diferentes de nós, pessoas comuns. Nada, neste mundo, abala a Felicidade e a Paz daqueles que venceram seus sonhos e desejos. Além dos preciosos exemplos de Vida, que nos deixam os Mensageiros do Altíssimo, a experiência da auto-observação (atenção interiorizada) me dá a certeza de que, ao contrário do que normalmente achamos, não é a falta de objetivos/sonhos que nos torna infelizes, insatisfeitos e esgotados, mas sim a agitação mental constante, provocada pela ansiedade de concretizar sonhos e alcançar objetivos, o mais rapidamente possível. Parafraseando o Cristo: É impossível amar dois senhores: ou amamos nossos sonhos/prazeres (egoísmo), ou amamos o Senhor (Altruísmo); temos que escolher um deles. Quem diz amar DEUS e o ego, está se enganando.

Além dos sonhos (desejos) fazerem mal para a própria pessoa, também fazem mal para o resto do mundo, porque eles sempre visam o prazer do sonhador. E, como bem sabemos, o prazer só pensa em seu prazer, mesmo quando a pessoa garante estar agindo pelo bem da humanidade, da natureza, etc. Infelizmente, quem vive para gozar prazeres/concretizar sonhos, deixa um rastro de sofrimentos atrás de si, embora quase nunca perceba (ou queira perceber) o mal que comete contra seus semelhantes. Por isto, o mundo é uma selva onde, a cada momento, há alguém destruindo os sonhos de muitos, para conseguir realizar os seus próprios. Para justificar esta conclusão, a seguir será repetido o exemplo citado no texto "A Meta da Vida". A mãe de Adolf Hitler certamente lhe dizia, quando ele era ainda uma criança inocente, como todas as outras, para nunca desistir de seus sonhos, os quais ela provavelmente considerava inofensivos. Ele seguiu o seu conselho e o resultado foi: milhões de judeus brutalmente assassinados por causa de um sonho/desejo/prazer/paixão... Nunca digas para alguém correr atrás de seus sonhos, pois ninguém conhece os sonhos secretos dos outros, por mais próximos e íntimos que sejam. Para não te arriscares a ser incentivador(a) de alguém que sonha ser um novo Hitler ou algo parecido, não cometas este erro. Também não digas para as pessoas desistirem dos sonhos, porque, agindo assim, acabarias pregado(a) em uma cruz, como o Cristo. Em situações cara-a-cara, nas quais podemos irritar egos e provocar reações imediatas, acho que a melhor atitude é ficar calado(a)...

 

A segunda interpretação, do título deste texto, diz respeito à atividade mental de sonhar.

Chamamos também de sonho, a uma realidade que percebemos não ser real somente após a consciência retornar a esta realidade, vivenciada agora pelo(a) leitor(a) e pelo digitador. Passamos grande parte da vida sonhando ao dormir e, mesmo assim, é difícil percebermos que, enquanto a consciência se mantém naquele estado, esquecida do mundo material e vivenciando o mundo onírico, não há qualquer desconfiança de que aquilo é um sonho. A criação mental é tão harmoniosa e persuasiva que, seja o que for que aconteça no sonho, o sonhador nunca suspeita de sua irrealidade. Depois de acordar, desperdiçamos tempo tentando interpretar o sonho, quando o mais importante é descobrir de onde vem tal fenômeno mental, tão realisticamente ilusório. Quem frequentemente reflete sobre suas experiências oníricas, aos poucos começa a desconfiar da realidade que o rodeia, quando desperto. Afinal, durante o sonho aquele mundo é tão real e concreto quanto este, onde estamos mergulhados, no momento. Na verdade, chamar este mundo de "material" não é estritamente correto, pois indica algo absolutamente/eternamente concreto; no entanto, ele é relativamente/temporariamente concreto, assim como é o mundo dos sonhos. Em um sonho, se o sonhador for atropelado por um automóvel-sonho, ele será atirado longe e sofrerá muitas fraturas, da mesma forma que aconteceria neste mundo, dito "material". No sonho, o automóvel-sonho é tão real e concreto quanto os automóveis que, agora, achamos ser reais. No sonho, este mundo que achamos ser real e concreto, evapora-se nos ares oníricos, e nada dele resta, nem mesmo sua lembrança. OBS.: como em texto anterior, aqui o termo "mundo material" está sendo usado para indicar tanto o mundo exterior (captado pelos sentidos físicos), quanto o mundo individual (a consciência corporal/mental de cada ser vivente; aquela força interior que diz: eu sou isto e aquilo). Observa que, durante o sonho, tudo aquilo que tão egoisticamente amamos (corpo, emoções, recordações, desejos, posses, etc.) desaparece completamente, na irrealidade de sua existência temporariamente concreta; no sonho, temos outro corpo temporariamente concreto, outras posses temporariamente concretas, etc.; tudo exatamente igual ao que ocorre neste mundo, dito "real". Sendo assim, será que vale a pena continuarmos nos esforçando por alcançar coisas tão efêmeras e passageiras, quanto aquelas que existem no estado de sonho, paixões/apegos que não param de fervilhar em nossas mentes "despertas"?

 

Encerro com uma sugestão que, intelectualmente, pode ser absurda, mas que é tão verdadeira quanto tudo o que nos rodeia, neste momento: se ainda não temos força (AMOR) suficiente para renunciar aos nossos sonhos (desejos), que nos esforcemos por realizá-los durante os sonhos (estado mental), pois o que conquistarmos lá, é tão real quanto as conquistas daqui (a ironia implícita nesta sugestão, tem o intuito de nos levar a refletir sobre o assunto).

 

 

Homenagem ao sublime Sábio de Arunáchala, Bhagavan Ramana Maharshi, que não precisa de homenagens e nunca as buscou...

 

 

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Oh, Senhor: Tu decides se devo ficar a Teus divinos pés, ou continuar escravizado a este mundo de ilusões...

 

14/07/2011

 

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